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Passageiro

O tempo está correndo e eu estou correndo atrás do tempo.

Rhaisa Muniz

Passageiro

Ontem: eu amo teatro! Hoje: eu odeio teatro!

Rhaisa Muniz

Passageiro

Noite de chegadas e dia de partidas!

Rhaisa Muniz

GONÇALO JARDIM
Longe do mar, longe da terra
PT
EXPOSIção

Inauguração
10 de Agosto,
18h, Igreja de São Vicente, Évora

 

Montando a exposição “Longe do mar, longe da terra” do escultor Gonçalo Jardim na Igreja de São Vicente. Muito aprendizado… Pareço estar perto do mar e perto da terra!

http://www.escritanapaisagem.net/expo2011_gon%C3%A7alojardim

Rhaisa Muniz

Coleção de despedidas

Atravessei as vielas de Veneza a correr. Ele segurava a minha mão com força com medo de me perder. Ti voglio bene, disse ele. Yo también, respondi. Já na estação de trem perguntei: ¿como se dice adiós en italiano? Ele olhou e me beijou. Signora, il treno partirá. Mais um beijo. Acho que é assim que se diz adeus em italiano.

Rhaisa Muniz

Coleção de despedidas

Estou dentro do ônibus indo para Amsterdã. Deixo Londres e o seu tempo cinzento, deixo a Lua e todas as suas cores. Tenho Londres em mim, pensamentos nublados e olhar chuvoso.

A despedida foi aquela do dia-a-dia. Aquela de ir no Pingo Doce e já voltar. Tanto sofrimento antecipado, tanto ensaio, tantas xícaras… Para uma despdida cotidiana. Talvez seja meu inconsciente dizendo que vamos nos encontrar em breve.

A saudade aperta a cada quilometro percorrido. Eu choro pelas nuvens cinzas que estão no céu, respiro fundo para conter as lágrimas, impossível. Suas palavras de saudade perfuraram meu coração. Aquele coração embrulhado em plástico bolha que tenta se proteger desse mundo crazy.

London is crazy and the people are very crazy!

E por um momento não sei mais quem devora quem. Se eu devoro o mundo ou é ele quem me devora.

Rhaisa Muniz

ANTÓNIO JORGE/RAZÕES POÉTICAS
Máscaras 1000:Gramática de um aprendiz
PT
EXPOSIÇÃO

Montando a exposição nas piscinas municipais de Montemor-o-Novo.

http://www.escritanapaisagem.net/expo2011_antoniojorge

 

 

CHAPÉUS HÁ MUITOS: UMA INSTALAÇÃO ESPACIAL
Colecção B/Festival Escrita na Paisagem
PT
INSTALAÇÃO

Largo de S. Vicente e Antigos Celeiros da EPAC 
10 de Junho a 30 de Setembro

Montando a instalação “Chapéus há muitos” da Colecção B no Largo de São Vicente e no Celeiros.Vendo Évora por outros ângulos!

Para se ver o céu II

Registro fotográfico inspirado em proposições da Yoko Ono – Rhaisa Muniz

Histórias estendidas nos varais

Em Évora as casas são brancas, as ruas são estreitas e as pessoas são acolhedoras. Em Évora lava-se a roupa suja dentro de casa, mas estende-se ela limpa do lado de fora. Em Évora as ruas têm cheiro de sabão em pó. Em Évora a brancura das casas é colorida pelas roupas estendidas nos varais. Em Évora as roupas dançam ao som dos pardais.

Évora que se mostra, desvela-se, desnuda-se para o transeunte. A cada esquina um varal. Peças de roupas pregadas por grampos coloridos a secar sob o sol de primavera e a dançar com o vento seco. Roupas de pessoas de todas as idades, roupas de todas as cores, de todos os estilos, roupas que contam histórias.

De quem será aquele vestido de bolinhas amarelas? E aquela calça jeans rasgada? E aquela calcinha de babadinhos? Quem é que deixa seu dia ir embora com a água para renascer outra vez com a luz do sol? Quem é que estende sua vida em varais nas ruas de Évora? Quem é que transforma o transeunte em espectador itinerante, em criador de histórias, em confidente?

O que pode parecer um simples ato de estender a roupa no varal, em Évora se transformou em um ato de confiança entre os moradores da cidade. Nos varais além das roupas, são estendidas as histórias de vida de cada pessoa, o cotidiano. Hoje o vizinho estava apressado, derrubou café na toalha. E assim, anda-se pelas ruas criando hipóteses, histórias, situações. E se tem a sensação que conhecemos todos os moradores e que somos de certa forma, íntimos.

Talvez esta seja a palavra-chave, intimidade. Até mesmo na literatura o intimismo é uma modalidade que trata dos sentimentos íntimos mais profundos e dentro da modalidade do impressionismo retrata cenas da vida cotidiana. Não é isso que ocorre com o ato de estender roupas no varal? Um ato cotidiano que revela outros atos cotidianos e que expõe a vida do usuário das roupas.

Quão profundo e belo é o ritual de lavar e estender roupas. Quão interessante é ouvir o que as roupas têm para contar. Descobrir os significados escondidos em um ato trivial, mesmo estes sendo somente hipóteses de uma artista encantada com o mundo.

Rhaisa Muniz