Archive for Março, 2011


Idéias fotográficas

Foto de Rhaisa Muniz

O meu professor de fotografia disse: a idéia está muito boa, mas falta um bocado de técnica.

Particularmente gosto da fotografia e não é porque é um auto-retrato. Gosto da brincadeira com as formas e as cores completares. O mote dado pelo professor foi o Dadaísmo, em particular as obras de Duchamp. Era para ser um retrato que aparecesse o rosto e as mãos. O maior erro dessa fotografia é a luz direta.

Fica registrado o meu primeiro exercício fotográfico. Espero que apreciem.

Rhaisa Muniz

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Com que arte eu vou?

Posso ser palhaça, fotógrafa, professora, pesquisadora, cineasta, performer, atriz… Posso ser ARTISTA!

Mas a Europa me deixou confusa, não sei mais o que eu quero ser! E as pessoas me perguntam: você não está fazendo nenhuma prática? Você não gosta de atuar? O que você quer fazer depois de se formar? E eu respondo: não sei, não sei…

“Só sei que nada sei”, portanto quero saber. Tenho sede e fome de conhecimento!

Mas todas estas perguntas me fizeram refletir, e estava começando a acreditar que eu não gostava mais de fazer teatro. Por que estou buscando outras áreas artísticas para me expressar? Por que estou me escondendo atrás da teoria teatral? Por que fico elaborando milhares de performances, intervenções urbanas, intervenções poéticas, fotográficas e nunca executo? Será que o teatro já não é suficiente para mim? E que medo é esse que me trava na execução dos meus projetos?

No meio dessa crise existencial-teatral-artística assisti a demonstração técnica do Carlos Simioni – LUME, e chorei, chorei, chorei. Chorava e pensava o quanto o teatro é lindo, o quanto tem poder de emocionar e transformar as pessoas. Foi aí que a Lynda Collapso entrou em ação e no outro dia foi a Lisboa na manifestação estudantil.

Lynda Collapso na Manifestação Estudantil em Lisboa - Foto de Daniel Henrique

Durante a viagem fui me maquiando, colocando a roupa da Lynda e quando terminei senti uma sensação tão boa, mas tão boa… Fazia tempo que não sentia isso, foi mágico! Pode parecer piegas, mas parecia que naquele exato momento eu havia me reencontrado.

E pronto, voltei a me apaixonar pelo teatro!

Para reforçar a paixão ontem assisti um espetáculo de Molière, “Médico à Força, uma montagem do grupo Os Plebeus Avintenses. Ontem assisti teatro, um bom teatro. E como é lindo ver um espetáculo feito com cuidado, preocupação e carinho. Como é bom ver que os atores amam aquilo que fazem, que se entregam a seu ofício e se divertem em cena.

E hoje é o Dia Mundial do Teatro! Hoje assisti Shakespeare, “Sonho de uma noite de verão”, montagem do Grupo Cênico da SOIR Joaquim António d’Aguiar. E mais uma vez sai da sala de espetáculo com a sensação de que o teatro tem qualquer coisa de belo, de encantador, de transformador. Qualquer coisa que toca! Não sei, não sei…

Só sei que me sinto feliz de fazer teatro, de fazer arte!

Parabéns para todos os teatreiros do mundo, parabéns pela coragem, garra e força de acreditarem nessa arte, de acreditarem nos seus sonhos e de lutarem por eles!

Rhaisa Muniz

Impressões Primaveris

“A primavera é quando ninguém mais espera
A primavera é quando não
A primavera é quando do escuro da terra
Acende a música da paixão
A primavera é quando ninguém mais espera
E desespera tudo em flor
A primavera é quando acredita
E ressuscita por amor”

Primavera – José Miguel Wisnik

E foi assim, depois de tanto esperar veio o cansaço e não se esperou mais. A espera sempre cansa, e não “quem espera sempre alcança”. A primavera veio assim como na música do Wisnik, veio sem ser esperada, veio cheia de flores e paixões, veio com o canto dos pássaros, veio com o sol no céu azul límpido e com as cores de um abril porvir.

Abri a porta verde da casa branca número 31 , o sol entrou, sorri. Saí de casa à la Amélie Poulain a espera de um fabuloso destino. Ops, esqueci, não se pode esperar! Bom, o destino era:  o teatro. Estava feliz por ser primavera e por ser Brecht, “O Casamento do Pequeno Burguês”. Dizem que a felicidade dura pouco, assim como o doce de uma criança. Mas “Tudo vale à pena quando a alma não é pequena”, e apesar de não concordar plenamente com o Pessoa, para esta ocasião serve muito bem.

Tomei montilla e sumol de laranja (o primeiro refrigerante fabricado em Portugal) e saimos pela primeira vez pelas ruas de Évora sem casacos. É. parece que a minha teoria sobre o calor é correta, para mim os europeus são frios por causa das baixas temperaturas, pronto aí está, basta um solzinho ainda ameno para escutar buzinas, receber sorrisos e escutar pessoas cantando pelas ruas.

Ah, como é belo o espírito primaveril!

Contagie-se!

Rhaisa Muniz

 

 

A primavera chegou!

Logo mais…

Estão ansiosos pelas fotos?

Em breve!

Rhaisa Muniz

O centro de artes (teatro, artes visuais, arquitetura e desing) se chama Leões e é em uma antiga fábrica aqui de Évora. O prédio é grande e frio. Algumas partes já foram reformadas, mas a área do teatro ainda possui certo ar fabril. Leões como Évora é um verdadeiro labirinto, você anda, anda, anda e quando menos se espera está de volta ao ponto de partida. Rio porque a cidade é pequena, e para atravessa-la de um extremo ao outro basta dar um passo (veja lá a “Aquarela” de Toquinho e Vinicius).

Nunca fui uma boa desenhista, mas contornar o lápis entorno da mão eu consigo. Ainda mais se for para fazer uma luva, acreditem luvas aqui são essenciais. Quanto ao guarda-chuva achei um lindo no chinês (já comentei sobre as lojas dos chineses não?), vermelho de bolinhas brancas e babadinhos. Ainda não comprei, mas sonho com ele. Sonho com um stencil à la Banksy com guarda-chuvas e corações, ou ainda, algo Mary Poppins.

Certo dia, quando era pequena, tentei voar com um guarda-chuva. Claro que a tentativa não teve nenhum êxito, caso contrário não estaria aqui uma hora dessas.

Falando em guarda-chuvas… Depois de Escher é a vez de Marcel Duchamp. Salve, salve a Fundação Eugénio de Almeida, o cineclube  Auditório Soror Mariana e o cacau quente do Zóca.

Outro dia fui à Capela dos Ossos. Que sensação esquisita entrar naquele lugar. Cinco mil ossos foram utilizados para a construção da capela. Dizem que foram ossos de pessoas que tinham sido enterradas nos cemitérios da cidade, já uma amiga levanta a hipótese de serem ossos de pessoas mortas pela inquisição. Vai saber…

Quando saí da Capela pensei: preciso de chocolate! E lá fui eu conhecer o cacau quente. Pronto! Viram como tudo tem uma ligação?!

Deixo-vos com estas poucas palavras pois minhas mãos estão congelando. Sim, esqueci minhas luvas em casa. E hoje chove. E amanhã, quem sabe, será um lindo dia de sol aqui em Évora.

Rhaisa Muniz