Archive for Fevereiro, 2011


Mosaico Cultural

A cultura portuguesa é um caldeirão de culturas, mas ao mesmo é muito particular. Os portugueses, como já comentei antes, têm uma lógica diferente dos brasileiros. Sabe aquela expressão levar ao pé da letra? É exatamente isso que eles fazem. Outro dia uma amiga brasileira que está aqui em Évora foi comprar uma tênis, experimentou um branco, mas pediu para o vendedor na cor preta afirmando que o preto sujava menos. Ao que o vendedor retrucou: você está errada, o tênis suja da mesma maneira, mas o preto aparece menos.

Outra situação que achei muito estranha é que os bares, restaurantes, cafeterias possuem preços diferenciados para quem come mesa e para quem come no balcão. Ou seja, se você quer economizar e não está cansado de bater perna por Portugal, peça o menu do dia no balcão, você pagará no mínimo 1,00€ a menos.

Portugal tem tudo que você imaginar, tudo o que você quiser, qualquer tipo de comida, de produtos tecnológicos, roupas, perfumes, vinhos, paisagens e pessoas. É um grande mosaico cultural, com lindos pedacinhos de azulejos coloridos de todos os cantos do mundo. As lojas dos chineses são uma perdição para qualquer tipo de comprinha, e tudo baratinho. Se você entre no supermercado não tem como sair de mãos vazias, a comida aqui é muito barata, uma barra de chocolate por exemplo é 0,36€.  Tem que tomar cuidado para não gastar demais e não engordar demais.

Já havia comentado com os meus amigos que voltaria para o Brasil um nojo só. Falava isso brincando, mas agora acho que realmente isso acontecerá. Por ser tudo tão barato, os almoços e os jantares, são um luxo. Risoto de cogumelos, bacalhau ao braz, filetes de lula, omelete de cogumelos, macarrão com molho pesto, macarrão com molho branco, arroz com bacalhau, bacalhau com batatas, fondue de queijo e chocolate, de entrada azeitonas e queijos alentejanos e para acompanhar vinhos maravilhosos. Quanto que pagaria por um prato destes no Brasil? Aqui gasto no máximo 4,00€ em um restaurante e se fizer em casa 2,50€ dividindo entre os amigos.

Ah, vocês já viram uma pessoa passeando com um coelho na coleira? A minha vizinha aqui em Évora tem dois coelhos. Um se chama Diva e parece um gato persa, coisa mais linda! Mas é bizarro você ver um coelho/gato com coleira dando voltinha na praça. Parece uma pluma, um algodão doce.

Aliás, aqui não há algodão doce. Nem pastel salgado. Se você entrar em uma pastelaria querendo comer um pastel de queijo, esqueça. Só encontrará pastel de nata.

Vou parar por aqui, pois estou engordando só de escrever sobre essas gulodices.

OBS: a expressão fish se escreve fixe e não da primeira forma como havia pensando.

Rhaisa Muniz

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Procurando um lugar ao sol

Lisboa dos amores e desamores… Das alegrias e tristezas… Das amizades e inimizades. Lisboa deixa em mim um gosto de quero mais!

Somente no último dia da minha estadia em Lisboa o sol apareceu. Foi em um domingo, comprei Hypnotic Poison e andei por Belém exalando doçura. Comi os famosos pastéis de Bélem com açucar e canela, ingeri doçura. Doce pôr do sol de Belém! Este em engoli sem mastigar.

Mas as obras do Museu Colecção Berardo eu mastiguei com gosto, não eram doces mas eram de um sabor tão picante e exótico que não resisti. E em um ato antropofágico quis comer o artista Tony Oursler e sua fantástica obra Judy (1994).

Chego em Évora com sede. Estado este causado pelo tempo seco, pelos doces de Lisboa e pela vontade de querer fazer arte. Primeira semana de aula e a vontade só aumenta, tantas disciplinas gira ou fish. Querendo engolir o mundo escolho nove disciplinas para fazer, me chamam de louca, deixo duas. Pronto, agora são sete ou talvez seis. Estou decidindo a minha vida, o meu ritmo português e o tempo do ócio criativo.

Quero fazer arte e nada mais!

Rhaisa Muniz

Mais uma estrangeira em terra estranha

Vou ao teatro com meu sapato roxo para assistir “Azul Longe nas Colinas” de Dennis Potter. Em geral a peça trata da crueldade do mundo infantil. Eis que começa a chover gotas azuis dentro da sala de teatro. Finda a peça e os espectadores portugueses parecem inebriados, todos ocupados em conter as gotas com seus lencinhos de papel. Lá fora Lisboa continua a chorar lágrimas cinzas de inverno.
Saio do teatro e vou em direção ao hostel desviando das poças de chuva e me esquivando do escuro da noite. O caminho é tomado por estrangeiro de toda a parte, são 23h20 e para eles a noite é uma criança cruel. Por que algumas pessoas decidem ficar com o lado cruel das crianças? Ou elas continuam crianças em corpo de adulto?
Estes dois últimos dias convivi aqui no hostel com um bando de crianças cruéis. Pensei em agradecer com um fuck you sorridente como meus amigos me ensinaram, mas me mantive calada. Nunca se sabe o que passa na cabeça desses malucos prepotentes. Eles falavam alemão e eu português, um belo diálogo em gramelô. E viva o aprendizado teatral.
Rhaisa Muniz

Se calhar vocês estão a ler…

palavras escritas ao pé da noite de Lisboa. Lua cheia e branca, noite vazia e negra. Sai de Évora trazendo comigo o imaginário de Escher. Mundos, castelos, animais, outras dimensões. E não é exatamente isto que estou a viver?

Chego em Lisboa. O sol aparece uma vez ou outra, tímido. Enquanto a chuva não pára de desaguar, assanhada. Ando de galocha pelas milhares de ruas de Lisboa, vou ao Zoológico, ao Teatro Nacional D. Maria II, ao Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, ao Museu do Design e da Moda, à exposição fotográfica “Os dias que passam”  (e como passam rápido esses dias).

Lisboa de todos

Lisboa do velho e do novo

Lisboa encanta e canta

E o vento não pára. E a chuva vira granizo. Petit pois de inverno. Precipitação de lágrimas congeladas. A arte de amar e se permitir chorar. Transformar a vida em Arte. Arte em vida.


“Quanto mais faço amor mais tenho vontade

de fazer a revolução (e vice-versa) Paris – 1968

 

Por enquanto vivo em Lisboa. Vivo o cotidiano de Lisboa. Sinto-me livre e apaixonada. Revolucionária?

Rhaisa Muniz

Impressões de Évora

Faz frio, saio de casa com três meias-calças, três casacos, aquecedor de orelha, luvas e cachecol. O tempo é seco, a noite é fria, o sol é escasso. Ontem pelo primeira vez choveu aqui em Évora, gotas de um céu cheio de estrelas. Pingos Doces…

Toma-se sopa e vinho para esquentar. Vinho do Porto. Escuta-se blues, jazz e soul para animar a noite. De dia é silêncio. Alguns carros e autocarros se estreitam pelos becos que mais parecem um labirinto. A cidade inteira é branca e amarela. Castelos medievais, igrejas monumentais, templo Romano, e tempo quase estagnado.

Para encantar o coração senhores tiram o chapéu, os motoristas são gentis e os moradores eborenses são super atenciosos. Muito fish, ou seja, muito legal em gíria portuguesa. Ainda me perco escutando os portugueses falarem, suas gírias, expressões, e uma lógica completamente diferente. É engraçado.

Sinto que será produtivo. Descobri o cinema, os cursos, as oficinas, os professores, os pubs, a música, a comida, as pessoas. Descobri que o frio pode ser amenizado, o caminho encurtado, as relações estreitadas e a cultura absorvida.

Depois de uma semana de procura e andanças, momento de aproveitar. Assisto o trabalho final dos alunos da disciplina de Área de Projeto em Teatro, gosto do que vejo.

Fico feliz…

Amanhã irei para Lisboa. Que seja inebriante!

Rhaisa Muniz

Cá estou em Portugal

São 22h horas e o sino da igreja toca três vezes. Do meu quarto da Pensão Policarpo consigo ver somente algumas torres da igreja, mas o sino eu escuto muito bem. Mais oito badaladas. Blém, blém, blém, blém, blém, blém, blém, blém. A rua estreita tem cheiro de sabão por causa das roupas que são estendidas do lado de fora das casas, são ceroulas, calcinhas, meias…

A cidade que conheci no fim da tarde de um domingo é silenciosa, tranquila, fria, doce, encantadora e com certo ar melancólico. As ruas com chão de pedras me conduziram de forma descompromissada por uma cidade cheia de casinhas antigas com varandas floridas e regadores vermelhos.

A Praça de Giraldo é o centro da cidade e tem um cheiro doce. Ali se encontram cafés, pastelarias, restaurantes, bancos, lojas… E pessoas… Parece um ponto de encontro e passeio. Escuto algumas conversas, certas horas parece que falam outra língua. No Papa Sandes pergunto o que é um garoto, mas peço 1\2 de leite e uma baguete sem fiambre. Mas o garoto é um sucesso!

Já está escuro, sento em frente à uma igreja, sob uma abóboda iluminada com luz âmbar, a moldura é formada por duas pilastras e a pintura revela uma estrela ao lado de uma lua sorridente. Penso em muitas coisas e ao mesmo tempo em nada. Vazia e cheia sinto o frio seco de Évora. Os lábios secos, os olhos molhados.

Rhaisa Muniz

Dia de alçar vôo…

A ansiedade

A espera

O choro

Despedida à brasileira…

Rhaisa Muniz

Impostos

Devolução de imposto nos países da Europa

Em alguns países é possível recuperar o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA). Na União Européia ele é conhecido como VAT.

A idéia, é que como o bem será exportado, você não precisa pagar o imposto. Logo, a isenção não é aplicada em hospedagem, restaurantes e locadoras de automóveis. Só produtos considerados bens exportáveis podem ter a isenção.

Regras:

  • Apresentar o passaporte na hora da compra
  • Pedir o formulário de solicitação de devolução de imposto
  • As compras devem ser exportadas no prazo de três meses
  • As notas fiscais, o formulário preenchido e as mercadorias deverão ser apresentadas a um inspetor da alfândega no aeroporto que validará o pedido de isenção

Existem empresas que fazem o trabalho para você. Mas, a quantia devolvida será menor. A Global Refund trabalha em 32 países. São eles: Argentina, Áustria, Bélgica, Croácia, Cyprus, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Holanda, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Coreia, Latívia, Líbano, Lituânia, Luxemburgo, Morrocos, Noruega, Polônia, Portugal, Cingapura, Eslováquia, Slovênia, Espanha, Suécia, Suíça/Liechtenstein, Turquia e Reino Unido.

Segue o passo a passo para obter o cheque de reembolso nas lojas que possuem o serviço Tax Free. As lojas que possuem esse serviço, geralmente possuem um adesivo como a imagem ao lado.

1 – Pergunte ao pessoal da loja sobre o cheque de reembolso, ao pagar por suas compras.
2 – Na alfândega mostre as suas compras, o passaporte e o cheque de reembolso para ser validado por um oficial. Você deve mostrar as compras quando for sair do país, ou no ponto final da partida, quando sair da União Européia.
3 – Para ter a restituição do cheque, mostre o cheque, com o passaporte e o cartão de crédito em um dos postos de atendimento do sistema Global Refund (Tax Free Shopping). A devolução pode ser feita diretamente no seu cartão de crédito.

Abaixo segue o comentário do Paulo BR sobre este sistema em Portugal:

“Em Portugal este sistema é conhecido pelas lojas como “tax free”. Sempre ao fazer uma compra, deve-se perguntar se a loja tem “tax free”. Em caso positivo, a loja preenche um formulário. Este formulário deve ser apresentado na aduana do aeroporto de saída, junto com o produto adquirido. No aeroporto de Lisboa, a devolução do IVA é feita na hora, em dinheiro (Euros).Recomendo entrar na área de embarque com boa antecedência, pois sempre há fila de brasileiros na aduana. Além disto, neste aeroporto caminha-se cerca de 30 minutos para chegar até os portões de embarque internacionais.”

 

Fonte: www.lilianmoura.com

Rhaisa Muniz