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UMA ATRIZ AQUÉM-MAR… à portuguesa

Após sete meses em terras lusitanas volto para a minha terra natal. Ah Brasil, quantas saudades, quanto aconchego, quantos abraços, quantos sorrisos, quanto você é querido e bem quisto. Ah Brasil, o senhor me fez falta viu?!

Apesar da falta que senti do senhor não pense que foi fácil voltar. Portugal me conquistou, e não foi só por causa do cravo vermelho, foi pelas casas brancas de Évora, pelo céu de Lisboa, pelas gaivotas do Porto, pelo sotaque que é fixe, pelos gajos e miúdas que são buéda giros, pelas tasquinhas, pelos gelados de todos os sabores, pelo pastel de nata, pelo vinho do porto, por todos os vinhos na realidade, pela malta do Festival Escrita na Paisagem, pelos amigos e professores queridos.

Aprendi amar Portugal! Aprendi a ser eu, outra, mil, em Portugal. Aprendi tanto com tantos, todos, outros, aqueles, estes, meus. Aprendi sobre política, sobre amor, sobre arte, sobre cozinha, sobre amizade, sobre trabalho, sobre os outros, sobre pequenas e grandes coisas. Mas acima de tudo aprendi que posso ser muitas, que posso ser eu.

Em Portugal aprendi sobre a Rhaisa Muniz, menina-mulher, artista-apaixonada, nascida e criada no meio do mato lá na Costa de Dentro, na Ilha de Santa Catarina, Brasil. Essa menina, bicho-do-mato, filha de uma professora e um artesão, apaixonou-se pelo teatro, e como todas as suas paixões passionais, não desistiu até conseguir achar o seu lugar. E quando achou, percebeu que seu lugar poderia ser muitos, que o teatro é arte, é vida, é cor, poesia, som e perfume.

Calhou que ela se encontrou e se perdeu na Universidade do Estado de Santa Catarina. Dentro deste universo, ela pôde ser artista, estudante, pesquisadora, acadêmica. Pôde ser, mas ela só experimentou o deixar de ser, quando ganhou além da bolsa do PROME, o Mundo.

E como foi bonito Brasil, foi lindo demais! Não fique com ciúmes, cada um tem o seu lugar em mim. Único! E você, ah você é tão lindo Brasil.

Mais que aprender sobre várias culturas, várias formas diferentes de pensar e ver o mundo, o que mais me impressiona é o aprendizado sobre nossa própria cultura. O olhar distanciado é mais crítico, analítico, mas é também mais amoroso e compreensivo. Quando estamos em um lugar diferente de forma inconsciente nossa cultura é colocada em xeque, é vista sob outros olhos, é revista e revisada. Sair de si para se ter consciência que o “si” existe.

Por tudo isso senhor Brasil, agora eu posso dizer que te amo. Assim mesmo, sem nenhuma pressão, amor de filha sabe?! Por isso senhor Brasil, agora sinto que posso e devo opinar, trabalhar, lutar, mudar e transformar nossa vida, nossa relação, nosso Brasil.

OBS: um tanto piegas e clichê, mas o amor não é assim?!

Rhaisa Muniz

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Aquém-mar

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Isso de mim que anseia despedida
(Para perpetuar o que está sendo)
Não tem nome de amor. Nem é celeste
Ou terreno. Isso de mim é marulhoso
E tenro. Dançarino também. Isso de mim
É novo. Como quem come o que nada contém.
A impossível aquidão de um ovo.
Como se um tigre
Reversivo,
Veemente de seu avesso
Cantasse mansamente.
Não tem nome de amor.
Nem se parece a mim.
Como pode ser isso?
Ser tenro, marulhoso
Dançarino e novo, ter nome de ninguém
E preferir ausência e desconforto
Para guardar no eterno o coração do outro.
 
 Hilda Hilst

Coleção de despedidas

Nos despedimos tantas vezes e sempre era a mesma coisa. Ficávamos em silêncio um olhando para o outro, esperando sabe lá o que. Daí nos abraçavamos ligeiramente e ele dizia: não se preocupe, nos vemos em breve. Tu voltas a Portugal logo. E eu balançava a cabeça dizendo que sim e lá dentro meu coração também balançava. Ele pediu para que eu ligasse antes de ir embora. Liguei minutos antes de embarcar no avião, foi a última vez que nos falamos. Com a voz grave de quem acabara de acordar me disse adeus, “-tchau minha brasileirinha”. E lá fui eu, uma brasileirinha, agora meio portuguesa, para Brasil.

Rhaisa Muniz

Ela foi a última pessoa que eu me despedi. Ela é eu. Eu sou ela. Descobrimo-nos iguais, descobrimo-nos teatrais, performáticas, passionais, loucas. Descobrimo-nos tarde demais! Mas não tarde o bastante para a nossa intensidade, porque somos intensas, coisa de escorpião dizemos juntas e entoamos “You know that I’m no good”. Fomos Pássaros, confidentes, amigas. E ainda somos, impossível deixar de ser. No aeroporto ela disse um até já, eu sorri e entreguei palavras escritas em papel. Quando o coração chora é difícil falar.

Rhaisa Muniz

Coleção de despedidas

Mais uma para a coleção de despedidas…

Chove, parece que Évora está triste por alguma razão desconhecida. Os abraços tornam-se muitos, assim como as gotas. Ele diz que precisa ir para o partido e eu digo que vou partir. “Se calhar é a última vez que nos vemos”. “Pois”. Agradeço por me fazer arte, pelo bem e mal que me fez. Foi importante, explico. Mas parece que tem coisas que não tem explicação. Assim como as gotas que caem do céu.

Rhaisa Muniz

Coleção de despedidas

Fazendo coleção de despedidas…

Hoje, aquele dos chapéus do chuva, aquele do rabo tonificado, aquele das longas conversas artísticas, filosóficas e de bobagens, aquele das taças de vinho. Hoje ele foi embora dizendo um até já. Hoje… E já faz falta em mim!

Rhaisa Muniz

Festival Escrita na Paisagem

Nos dias 27 e 28 de Agosto, temos outra viagem marcada às Paisagens Interiores, um espectáculo que resulta do trabalho dos participantes da Escola de Verão 2011 Cie. Philippe Genty, onde a linguagem visual da companhia se cruza com  o jogo do actor,a manipulação de materiais, objectos e marionetas, num movimento próximo da dança, sustentada nos recursos pessoais de cada participante. 

http://www.escritanapaisagem.net/escoladeverao2011_ciephilippegenty

Passageiro

Cada dia a mais é cada dia a menos.

Rhaisa Muniz

Passageiro

Meu coração palpita na ponta do meu nariz!

Rhaisa Muniz